6 de agosto de 2008

- Alô

Engraçado que, por mais que eu prefira acreditar que eu já superei todas as merdas que me fizeram e que não quero desculpas, vou dormir e sonho com um telefonema arrependido.

Ou com cartas não enviadas.

27 de julho de 2008

Such a good boy

Não dá pra morrer na praia. Se eu sofri em relacionamentos é bom que eu aprendo para o próximo, para tudo dar certo quando eu achar aquela pessoa especial. Mas e quando você pensa que achou e não achou? Eu sinto como que se ninguém tivesse nunca se apaixonado por mim. É que eu já me apaixonei, sabe? E não foi uma vez só. E dói bastante pensar sobre isso, na falta de reciprocidade. O que há de errado comigo pra que ninguém realmente me queira? Não pode ser uma coincidência do universo que todas as pessoas com que eu estive, ou tenha tido desejo de estar, tenham me deixado por causa de uma outra pessoa. Há algo aí, pra eu descobrir e melhorar. Mas eu não consigo ver. Eu nunca fui o preferido de ninguém, a única escolha e talvez nem a primeira. É um dilema complicadíssimo que me desanima. Eu não tenho energias pra formular um pensamento linear sobre os fatos. Não consigo internalizar as máximas que me cercam; como “no fim, tudo dá certo” e “assim que você parar de procurar um amor ele aparece”, e aí me sinto impotente dentro da minha própria cabeça. Todo dia eu deito na cama no mesmo horário e cada dia eu demoro um pouquinho mais pra dormir. Uns dias é porque estou dolorosamente segurando um choro. Outros dias é porque não consigo parar de chorar. Acho que ninguém sabe o que eu estou sentindo.

14 de julho de 2008

Exausto

É engraçado, no mínimo. Tenho uma leve dor de garganta por causa das cervejas de ontem e do frio que faz aqui. Tenho 15 panelas dentro do meu armário. Meu DVD de “Jagged Little Pill” é falsificado e eu comprei o original pra outra pessoa.

Pelo menos eu fiz planos. Mesmo que eu não os cumpra, vejo a minha habilidade de traçá-los. Pelo menos eu verbalizei o que queria, o que sentia. Pelo menos eu ri. Pelo menos eu pude ver quem são meus amigos e fiquei extremamente feliz com isso. Pelo menos agora eu tenho o livro da Fernanda Takai. (...) Mas ao invés de suspirar de ansiedade quando via um casal na rua, agora eu me seguro para não gritar. É que eu estou exausto. Exausto de procurar e correr atrás e confiar. Exausto de ver tudo ir pro mesmo lugar que tudo já foi.

12 de julho de 2008

Considere a lâmpada no seu teto

Considere a lâmpada no seu teto. Você liga o interruptor e ela acende. Mas a lâmpada não é a fonte de luz, a verdadeira fonte é um gerador elétrico em um lugar tão distante que você nem vê. E existem regras de quanta luz pode ser emitida e quando e porque. O mesmo é verdade com a Luz do Criador.

Um dos erros comuns que todos nós cometemos é o de confundir pessoas ou coisas com a Luz. Por exemplo, nada parece tão bom quanto se apaixonar. Naturalmente, acabamos associando a pessoa amada a essas sensações de felicidade e assumimos que ela é a fonte delas. Mas não é assim que funciona. Nenhuma pessoa pode suprir os sentimentos de amor que procuramos. É a maneira com que lidamos com a outra pessoa que revela Luz.

E o dia de hoje é sobre isso. Lembrar que, no final das contas, sua relação com as pessoas e lugares tem a ver com sua relação com a Luz de Deus.

Tudo de bom,

Yehuda Berg

7 de julho de 2008

Vasto

Mar de memórias. Infinito. Incompleto.

- Marcos Pimentel

6 de julho de 2008

(Nem) Tudo eu.

Sempre sou eu. Eu começo as conversas, eu provoco os beijos. Eu ligo no dia seguinte. Eu procuro saber e aprendo sobre. Eu pago. Eu presenteio. Eu bolo planos, agendas e faço listas. Eu escrevo cartões. Eu ofereço e peço. Inúmeras vezes tudo acabou pois eu decidi, de uma forma meio antropológica, fazer a seguinte experiência: o que vai acontecer se eu parar de procurar, de ligar, de começar as conversas? E o resultado foi categoricamente igual. Tudo desmoronou. As comprovações empíricas me deixavam com vontade de fazer mais experimentações. Que experimento faço a seguir? O que me parece melhor é esperar o inverso. Achar alguém que me deixe parado. Atender telefonemas, concordar ou não com programas, ler poesias feitas pra mim, receber presentes. Seria perfeito. Seria perfeito? Daí vem outra idéia: fazer isso em uma escala maior. Ao invés de ficar parado agir bem mais do que antes. Mas dá muito trabalho isso. Ai, não só isso. Tudo isso. As três possibilidades são trabalhosissímas. Mas não são as únicas três, certo? Nunca experimentei outra, mas sei que existem. Já li histórias.

29 de junho de 2008

Em nível de alma

Pois as pessoas associam casamento e amor verdadeiro a romance. Mandar flores, jantares românticos à luz de velas ou coisas mais profundas, como trazer filhos ao mundo. Mas romance vai e volta, não? Uma hora seu marido ou sua esposa são melhores amigos e outra hora eles estão na casa do cachorro, né? E eu não acho que é nada disso. O que faz um casamento funcionar é a habilidade de um amar o outro incondicionalmente. E é a coisa mais difícil do mundo. Não há nada de romântico em amar alguém incondicionalmente. É um trabalho duro. É como o pastor da minha igreja disse no sermão. Ele não tem motivos para amar sua esposa, ele a ama porque ama. Pois com “motivos” você quer dizer os motivos exteriores. Não é porque ela é bonita, talentosa, nenhuma dessas coisas físicas. É só porque ele a ama. Isso é amor em nível de alma.

- "The View"

22 de junho de 2008

Vida nova, amém.

Eu ando com o amor tatuado nas costas e uma vida nova tatuada na perna. Eu já sei sobre minha devoção a Deus, meu papel no planeta, sobre o sim e o não. Sei pular de ponta e ficar parado. Sei que sou o que sou, que sou coisas que não sei, que não sou o que não sou. Meus gostos, minhas aflições, minhas alergias. Eu te quero do meu lado agora. Pra firmar raízes em algum lugar, fazer um voto a mim mesmo, chamar minha casa de lar. Pra raiz ser nossa, pro meu voto ser pra você, pra ser nosso esse lar. Caixas gigantes cheias de coisas. Nada precioso e tudo sagrado. Eu estou pronto pra sair do limbo.

- Baseado em "Limbo No More", Alanis Morissette

18 de junho de 2008

Logo eu

Ausência interior exterior. Nariz em pé pela rua, risadas altas em bares, piadas boas no horário de almoço. Mas eu acredito em mim mesmo? Tenho achado que não. Como é complexo isso. Eu não acredito em elogios que me são feitos, pois acho todos parciais. Mas pode algum não ser? Eu me sinto facilmente ameaçado, pois não estou à altura de ninguém. O outro sempre é mais que eu; mais bonito, inteligente, atraente, engraçado, atencioso, rico, perspicaz, engraçado. Não acho que meus agrados preenchem o tanto de espaço que imagino que deviam preencher e me culpo por isso. Eu espero calado por sinais de que eu esteja errado, mas com medo deles não serem confiáveis por terem sido, de certa forma, plantados por mim. De onde vem essa minha necessidade de aprovação? De onde vem tanta culpa? Me dá um aperto gelado no peito e eu penso em coisas abstratas – como no inútil design aerodinâmico das caixas de som do computador – para evitar que lágrimas apareçam. Eu não sou tão incompetente assim, tão feio assim, tão ignorante assim. Por que preciso de provas? Porque dependem de terceiros? Eu, logo eu, que sempre assinei meus conselhos para amigos com a frase “não coloque sua felicidade na mão de outras pessoas. Se elas tiverem o pode de te fazer bem, também terão o de te fazer mal”. Logo eu...

5 de junho de 2008

Do fim

“Como você se despede de alguém que achava que não podia viver sem?”, pergunta-me Norah Jones em “Um Beijo Roubado”. “Eu não te amo mais. Adeus”, responde Natalie Portmam, em “Closer”. E eu adiciono: é isso mesmo.

Sua vida vai mudar completamente, rumos que você não tinha nem imaginado. Terminar um relacionamento com quem você achava que era sua alma gêmea muda sua vida, sua maneira de ver as coisas e as pessoas. Eu falo por experiência.

O começo é a pior parte. Eu precisei de cafunés de uma amiga e muita comida gordurosa. Dormimos abraçados. Eu tinha lágrimas no rosto e cheiro de Cheddar com batata frita na boca. O mês seguinte foi o mais cinza de todos, meio borrado, não fez muito sentido e passei por ele meio entorpecido e tentando me elevar. Fingir que está bem dá a sensação que ficarei mais rápido. Não funciona sempre, claro. Você vira um balão e esse fingimento te enche de ar. Aí, você ouve o nome da pessoa ou vê ela na rua de dentro do ônibus e uma agulha te espeta bem no meio e você solta todo o seu ar e, antes de murchar e parar no chão, fica rodopiando pelo cômodo.

Aí, passa. Nas histórias que ouço, os amigos se dividem entre as partes do ex-casal ou tentam equilibrar as coisas incluindo cada hora um em seus programas. Comigo não foi assim. “Perder” é uma palavra forte, mas foi o que praticamente aconteceu com quase metade dos meus. A carência nesse momento é bem forte. São perdas maiores do que você tinha percebido.

Aí, passa. E você encontra esperança em romances curtos, em ver que você ainda é desejável, em sexo casual e banhos longos. E você lembra daqueles amigos que você via com menos freqüência. Eles ganham mais importância enquanto você caminha com eles e redescobre os talentos deles, a generosidade deles, as psicoses deles. Você está confortável novamente. Não que o mundo seja melhor, mas você vê a sacralidade do mundo novamente.

E você tem as recaídas. Mas elas não têm mais o rosto do antigo amor. São mais por não ter um rosto substituto. E você espera e espera. Romances curtos, sexo casual e banhos longos não fazem mais efeito. Você anda sozinho pela rua de nariz empinado, mas dorme abraçando seus joelhos. Alguns amigos voltam. Lentamente, bem diferentes, mas voltam. Você os perdoa, você perdoa todos. Mas não adianta, tudo mudou e em breve eles irão sumir de novo, por outros motivos. São caminhos diferentes e você deve aceitar isso. Quem sabe o ponto de chegada seja o mesmo? Mas só te resta torcer.

Você come coisas saudáveis agora e ouve baladas mid-tempo de noite. Sai de casa e bebe as vezes. Sorri mais. Revê seus filmes favoritos, aprecia mais suas cobertas vazias cheias de você. Volta a fazer a barba todos os dias e a usar meias limpas. Se pega gritando o refrão de uma música numa noite sozinho em casa. Quase engasga quando abstrai e percebe: você superou. A pessoa e você. Você se superou.

Pessoas passam, estradas passam. Quando você menos espera, de onde você menos espera, surge um outro alguém – é, a felicidade nos vulgariza e a vida é mesmo um clichê. Não necessariamente na ordem apresentada aqui, sobe e desce sem parar a sua esperança na vida, no amor, na humanidade e na monogamia. O equilíbrio vai vir com alguém que vai te encher de amor e você vai sucumbir às grandes máximas da vida familiar sem perceber. E vai ser feliz.