28 de setembro de 2009

Vezes dois

Pior que uma dor forte é não ter em quem colocar a culpa por ela. Mas culpar alguém também não faz a dor passar...

19 de setembro de 2009

Ok?

10 de setembro de 2009

"A eternidade, esse invisível que olhamos"*

Não se trata, nem de longe, de um trovador misterioso. É alguém bem conhecido dos meus olhos, apesar de que meu cérebro o desconheça no que cabe a princípios. Mas não é pecado isso. Poucos conseguem trazer algum de seus valores de dentro de sua mente para o mundo real o tempo todo. Não tem como colocar todos eles na estampa de sua camisa, afinal. E, mesmo que houvesse, ia ser uma camisa feia pra burro.

Mas há algo ali que sinaliza: “pode apostar nisso aqui, não vai te decepcionar”. Sem contar essa aparência, cuja descrição ocuparia páginas de um livro e que vou resumir de forma injusta com apenas duas palavras: macia e perfumada. Ou melhor, “macia e perfumada” são adjetivos mais cabíveis à sua existência. Quando se trata de sua aparência, talvez sejam “precisa” e “quente” as palavras que procuro.
* Frase de Muriel Barbery

8 de setembro de 2009

Entendendo a vida aos cinco

"Quando eu tinha cinco anos, meu avô me disse que a felicidade era a chave da vida. Quando eu fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser quando eu crescesse. Eu escrevi 'feliz' e me disseram que eu não havia entendido a tarefa. E eu disse que eles é que não entendiam a vida."

21 de agosto de 2009

Água com açúcar e veneno

Eu entendo como é se sentir o menor que é humanamente possível. E como isso pode doer em lugares que você nem sabia que existiam dentro de você. E não importa quantos cortes de cabelo você faça, ou academias que se afilie ou quantas taças de champanhe você bebe com suas amigas... Você ainda vai para a cama toda noite repassando cada detalhe e se perguntando o que fez de errado ou como pôde ter sido mal interpretado. E como, no inferno desse momento passageiro, você achou que podia ser feliz. E as vezes você consegue se convencer que ele viu a luz e que vai aparecer na sua porta.

E depois de tudo isso, não importa quanto tempo faz, você vai para um lugar novo. E você conhece pessoas que vão te fazer sentir especial de novo. E seus pequenos pedaços finalmente voltam. E todas aquelas coisas esfumaçadas, aqueles anos da sua vida que você desperdiçou, vão eventualmente desaparecer.

- Nancy Meyers

12 de agosto de 2009

Carta para alguém bem próximo

Querido Alguém,

Houve um período de tempo em que eu estava com tanta raiva que não podia nem citar seu nome. E me matava pensar em como você descartou o tempo que tivemos juntos, mas eu sempre soube que tínhamos gostos diferentes em relação às coisas e que não ficaríamos juntos para sempre. Mas, enquanto durou, foi hilário. E agora eu nem faço careta quando você é mencionado.

27 de julho de 2009

É sobre o que já existe também

Depois de uma semana doente, me ocorreu um pensamento. No dia que você tem dor de dente, de barriga, de cabeça, sua vida não parecia duzentas vezes melhor no dia anterior? Por que você não achava que sua vida estava ótima ontem?

Todo mundo sabe – mesmo que nunca tenha parado para pensar no assunto – que uma coisa que liga todos os seres humanos é o desejo. Desejos de ter e ser e estar. E o problema é controlá-los. Quando você está mal, deseja estar bem. Mas quando está bem, precisa continuar desejando estar bem. Se não você volta a ficar ruim.

E é sobre isso a vida, eu acho. Muito é sobre traçar objetivos e planejar conquistas. Mas muito mais é sobre valorizar as coisas boas que você já tem. Afinal, como você vai saber se outra coisa é mesmo melhor se não tiver vivido algo diferente antes? Se você não consegue achar um meio de ser feliz com o que tem, talvez ter mais não seja suficiente.

12 de julho de 2009

Não há lugar como nossa casa

Com o passar do tempo, abrir uma empresa se tornou algo fácil. Atualmente, basta ter um computador e pode ser o da sua casa. O que isso quer dizer? Estruturalmente, ela não tem uma base física. E isso traz inúmeros benefícios, como diminuição de custos e a facilidade e rapidez com que os cacos serão recolhidos caso ela não dê certo. Em poucos dias tudo está pronto para começar algo novo.

O mesmo tem acontecido com o amor e os relacionamentos. Ninguém quer nada profundo hoje em dia. Afinal, em caso de falência, haverá desemprego e será muito triste derrubar o prédio da sede. Talvez seja uma tendência. Ao invés de termos casamentos duradouros e namoros cheios de cumplicidade, temos casos curtos que não levamos mais do que uma ducha para esquecer. Temos amizades segmentadas e uma lista de tópicos apropriados para cada pessoa do trabalho e de casa. Não somos nós mesmos hora nenhuma.

É muito fácil isso. Não se envolver é sinônimo de não se machucar, não se entregar e também é uma segurança de que você não está sendo passado pra trás por ninguém. Entretanto, quem tem todos não tem ninguém e nunca houve tantos casos de estresse, depressão e distúrbios alimentares no mundo. Como foi que chegamos nisso?

As vezes você não sabe que ultrapassou uma linha até que você já esteja do outro lado. A boa notícia? Faça as malas. É possível voltar.

29 de junho de 2009

De novo

Nenhuma mudança é pior do que a não-mudança. É incrível. Chega a ser incrível o sem número de vezes que eu estive nessa situação e minha falta de prática com uma situação assim, tão familiar. Não tô sabendo lidar com isso. Vocês tão percebendo? Eu tô ficando meio triste. E mesmo quando eu estou feliz eu choro por coisas que falo para os outros fazerem sem chorar.

12 de junho de 2009

Minha educação não-sentimental

Eis uma história típica do Dia dos Namorados. Prepare-se.

Uma jornalista inglesa veio para Nova York. Era atraente e espirituosa, e logo se viu envolvida com um dos mais cobiçados solteirões nova-iorquinos. Tim, 42 anos, era um banqueiro de investimentos que ganhava mais ou menos uns 5 milhões de dólares por ano. Durante duas semanas eles se beijaram, andaram de mãos dadas – e então, em um dia morno de outono, ele a levou até a casa que estava construindo nos Hamptons. Eles olharam a planta com o arquiteto.

– Eu queria dizer ao arquiteto para fechar os espaços entre as grades do segundo andar, para as crianças não caírem entre elas – disse a jornalista. – Esperava que Tim fosse me pedir em casamento.

Na noite de domingo, Tim deixou-a no apartamento dela e lembrou-a de que tinham planejado jantar juntos na terça-feira. Na terça, ele ligou e disse que tinha acontecido um imprevisto e ia precisar marcar para outro dia. Depois de duas semanas sem ter notícias dele, ela ligou e lhe disse: “Você está demorando muito para marcar outro dia.” Ele prometeu telefonar para ela na semana seguinte. Mas é claro que ele nunca mais ligou. O que me interessou, porém, foi que ela não conseguia entender o que tinha acontecido. Ela explicou que, na Inglaterra, encontrar-se com o arquiteto teria significado um compromisso. Então entendi, é claro! Ela é de Londres. Ninguém a alertou sobre o Fim do Amor em Manhattan. Mas ela vai aprender.

Bem-vinda à Era da Falta de Inocência. As luzes cintilantes de Manhattan que serviram de cenário para os encontros emocionantes de Edith Wharton ainda brilham – mas o palco está vazio. Ninguém toma café em frente à vitrine da Tiffany’s e ninguém tem casos memoráveis – em vez disso, precisamos tomar café às 7 horas e temos casos que tentamos esquecer o mais rápido possível. Como foi que conseguimos nos enrolar assim?

Truman Capote compreendia nosso dilema atual – o dilema amor versus dinheiro – até bem demais. Em "Bonequinha de Luxo", Holly Golightly e Paul Varjak defrontavam-se com restrições: ele dependia de alguém financeiramente e ela também, mas no fim superaram os obstáculos e optaram pelo amor, não pelo dinheiro. Isso não acontece muito em Manhattan hoje em dia. A autoproteção e a barganha vêm acima de qualquer outra coisa. O cupido tomou chá de sumiço.

Quando foi a última vez que você ouviu alguém dizer: “Eu te amo!” sem depois completar com o inevitável (embora não dito) “como amiga”? Quando foi a última vez que viu duas pessoas entreolhando-se com ardor sem pensar “Me engana que eu gosto...”? Quando foi a última vez que ouviu alguém anunciar: “Estou loucamente apaixonado”, sem pensar: “Espera só até a manhã de segunda-feira...”?

Ainda se transa muito em Manhattan, mas só se transa para ter amigos e fechar contratos, não para se ter um romance. Hoje em dia, todos têm amigos e colegas; ninguém tem namorados para valer – mesmo se tiverem dormido juntos.

Voltando à história da jornalista inglesa: depois de seis meses, mais alguns “relacionamentos” e um breve caso com um homem que costumava ligar para ela de fora da cidade para lhe dizer que ia telefonar quando voltasse (e nunca ligava), finalmente caiu a ficha. “Ninguém quer se comprometer nos relacionamentos em Nova York”, disse ela. “Mas como é que a gente consegue se comprometer, se quiser?”

Querida, a gente simplesmente sai da cidade.

- Candace Bushnell