29 de Junho de 2009

De novo

Nenhuma mudança é pior do que a não-mudança. É incrível. Chega a ser incrível o sem número de vezes que eu estive nessa situação e minha falta de prática com uma situação assim, tão familiar. Não tô sabendo lidar com isso. Vocês tão percebendo? Eu tô ficando meio triste. E mesmo quando eu estou feliz eu choro por coisas que falo para os outros fazerem sem chorar.

12 de Junho de 2009

Minha educação não-sentimental

Eis uma história típica do Dia dos Namorados. Prepare-se.

Uma jornalista inglesa veio para Nova York. Era atraente e espirituosa, e logo se viu envolvida com um dos mais cobiçados solteirões nova-iorquinos. Tim, 42 anos, era um banqueiro de investimentos que ganhava mais ou menos uns 5 milhões de dólares por ano. Durante duas semanas eles se beijaram, andaram de mãos dadas – e então, em um dia morno de outono, ele a levou até a casa que estava construindo nos Hamptons. Eles olharam a planta com o arquiteto.

– Eu queria dizer ao arquiteto para fechar os espaços entre as grades do segundo andar, para as crianças não caírem entre elas – disse a jornalista. – Esperava que Tim fosse me pedir em casamento.

Na noite de domingo, Tim deixou-a no apartamento dela e lembrou-a de que tinham planejado jantar juntos na terça-feira. Na terça, ele ligou e disse que tinha acontecido um imprevisto e ia precisar marcar para outro dia. Depois de duas semanas sem ter notícias dele, ela ligou e lhe disse: “Você está demorando muito para marcar outro dia.” Ele prometeu telefonar para ela na semana seguinte. Mas é claro que ele nunca mais ligou. O que me interessou, porém, foi que ela não conseguia entender o que tinha acontecido. Ela explicou que, na Inglaterra, encontrar-se com o arquiteto teria significado um compromisso. Então entendi, é claro! Ela é de Londres. Ninguém a alertou sobre o Fim do Amor em Manhattan. Mas ela vai aprender.

Bem-vinda à Era da Falta de Inocência. As luzes cintilantes de Manhattan que serviram de cenário para os encontros emocionantes de Edith Wharton ainda brilham – mas o palco está vazio. Ninguém toma café em frente à vitrine da Tiffany’s e ninguém tem casos memoráveis – em vez disso, precisamos tomar café às 7 horas e temos casos que tentamos esquecer o mais rápido possível. Como foi que conseguimos nos enrolar assim?

Truman Capote compreendia nosso dilema atual – o dilema amor versus dinheiro – até bem demais. Em "Bonequinha de Luxo", Holly Golightly e Paul Varjak defrontavam-se com restrições: ele dependia de alguém financeiramente e ela também, mas no fim superaram os obstáculos e optaram pelo amor, não pelo dinheiro. Isso não acontece muito em Manhattan hoje em dia. A autoproteção e a barganha vêm acima de qualquer outra coisa. O cupido tomou chá de sumiço.

Quando foi a última vez que você ouviu alguém dizer: “Eu te amo!” sem depois completar com o inevitável (embora não dito) “como amiga”? Quando foi a última vez que viu duas pessoas entreolhando-se com ardor sem pensar “Me engana que eu gosto...”? Quando foi a última vez que ouviu alguém anunciar: “Estou loucamente apaixonado”, sem pensar: “Espera só até a manhã de segunda-feira...”?

Ainda se transa muito em Manhattan, mas só se transa para ter amigos e fechar contratos, não para se ter um romance. Hoje em dia, todos têm amigos e colegas; ninguém tem namorados para valer – mesmo se tiverem dormido juntos.

Voltando à história da jornalista inglesa: depois de seis meses, mais alguns “relacionamentos” e um breve caso com um homem que costumava ligar para ela de fora da cidade para lhe dizer que ia telefonar quando voltasse (e nunca ligava), finalmente caiu a ficha. “Ninguém quer se comprometer nos relacionamentos em Nova York”, disse ela. “Mas como é que a gente consegue se comprometer, se quiser?”

Querida, a gente simplesmente sai da cidade.

- Candace Bushnell

28 de Maio de 2009

Parabéns, vão se foder

Eu perdi boa parte da infância querendo ser adolescente e metade da adolescência querendo ser adulto. Eu sou jovem, mas não mais tanto. Eu tenho responsabilidades agora. Não é que eu mantenha uma família, mas tenho. E acho injusto pessoas mais velhas não terem e poderem viver para sempre como menores de idades deslumbrados com sua capacidade de se passar por maiores para comprar cerveja com o dinheiro que a mãe deu.

Queria aproveitar esse texto e mandar um super beijo para todas as pessoas que podem passar a tarde dormindo ou na academia tendo qualidade de vida e, como se isso não fosse bastante, trabalham em um mês a quantidade de horas que eu trabalho em um dia e ganham cinco vezes mais. Parabéns, vão se foder.

24 de Maio de 2009

Dance Anthem of the 80's

Hipoteticamente falando, se eu começasse um namoro hoje, estaríamos juntos há 20 dias no dia dos namorados. Ou seja, seria tenso. Independente de ser só uma data comercial, trocar presente é legal. Mas como o relacionamento é recente os dois iam ficar em dúvida se é ou não pra comprar algo. E, analisando o tipo de gente que eu atraio, o fucker provavelmente ia comprar um daqueles presentes que é pra você mesmo, sabe como? Aí, se eu não comprasse nada pra ele, ele poderia ficar com meu presente pra ele. Se eu comprasse, trocaríamos. Patético. Mas, ok. É uma hipótese apenas. Duvido infelizmente eu duvido muito mesmo de verdade – que vou começar um namoro hoje ou nos próximos vinte dias. Não apareceu ninguém legal no caminho. Você pode aparecer logo, não? Aí a gente podia começar a viver junto pra sempre logo. Mentira. Apareceu. Isso é bem irônico. Todo mundo que eu acho que daria certo comigo já apareceu na minha vida. Eles é que não acham o mesmo sobre mim. Então eu fico aqui, ouvindo “Dance Anthem of the 80’s”. Quem sabe antes do meu aniversário ou do Natal...

17 de Maio de 2009

Acima

É preciso ser um ser humano muito irrelevante para não afetar outros. Em uma escala menor, é impossível sair de um relacionamento sem vestígios da outra pessoa. Seja uma memória feliz, um cheiro memorável, uma gíria, uma sensação qualquer. Querer reviver uma dessas coisas, por um segundo que seja, é um erro? Talvez. Mas algumas pessoas não se importam em errar. Pequena morte, grandes dúvidas.

Felicidade não é real. Paz é.

28 de Abril de 2009

Acabei de ler uma história que veio a ter muito a ver com a crise existencial que estou passando.

Um ladrão de banco leva um tiro e morre. Quando acorda ele se encontra num lugar onde pode ter tudo que deseja – lindas mulheres, carros velozes, mansões com piscinas enormes, tudo que ele poderia querer. Depois de alguns dias, ele se sente entediado.

Ele diz ao gerente do estabelecimento: “Preciso fazer alguma coisa emocionante.”

O gerente diz: “Tudo bem, o que você gostaria de fazer?”

“Quero assaltar um banco.”

“Pode deixar, vou preparar tudo; você só precisa me dizer quando e onde.”

O homem diz: “Não, não, não, você não entende. Não quero sua ajuda. Quero ação. Quero riscos.”

O gerente diz a ele: “Aqui as coisas não funcionam assim. Aqui você pode roubar um banco e os caixas simplesmente entregam o dinheiro a você. Eles não chamam a polícia. Tudo sem ansiedade ou preocupação.”

O homem começa a reclamar. “Não quero ficar no céu,” ele diz. “Quero ir para o inferno.”

Ao que o gerente responde: “Onde você pensa que está?”

Você pode reclamar da sua luta, mas quando realmente entende o processo do qual faz parte, compreende que tudo é como precisa ser para que você possa merecer tudo que vem a você. Se você confiar, as dúvidas desaparecerão e serão substituídas por propósito e vitalidade.

27 de Abril de 2009

Mágico

Sempre eram pessoas que ficavam de mãos dadas comigo mas com um olho na estrada, vendo se alguém mais interessante passava. Engraçado quando um problema de longa data é resolvido em pouco tempo por gente de fora.

4 de Abril de 2009

Dançar nem fudendo

Eu sonhei que estava numa sala com duas portas. Uma dava para um lugar cheio de pessoas que me odiavam. Da outra ia sair, em breve, alguém que eu odeio. O dilema era intenso. Fica e esperar a pessoa odiada passar ou escapar dela na outra sala? Só sei que acordei com a sensação de ter bebido uma garrafa de champanhe inteira e pensando “Mas será que era ódio mesmo?”

Me sinto inútil, patético e contagioso. Além de inferior, claro.

29 de Março de 2009

Sinceramente



Sempre ouço falar que grandes escritores se inspiram em todo e nenhum lugar. Do meio do nada lhes vem uma história pronta na cabeça e tudo que eles fazem é achar um papel e escrevê-la. Eu, não sendo um grande escritor, não funciono assim.

Às vezes não sei o que quero falar e sento no computador. Abro um novo arquivo, em branco, e fico olhando para ele. Sei que tenho algo pra falar, pra tirar de mim. Olho para a janela, que fica perto do monitor. Vejo as nuvens e não raro acho que devia fotografá-las mas deixo a tarefa para depois. Algumas vezes chupo uma bala, tomo um gole de algo. E aí vem o texto. Ele chega tímido, comedido e é, provavelmente, sobre o mesmo assunto do anterior. Curioso que eles não me soem repetitivos. Cada dia é um e eu estou diferente. Minha visão é outra sobre o mesmo fato. Mas não posso deixar de observar que o núcleo duro do fato ainda é o mesmo. Fato.

Outras vezes estou à toa. Sentado em um banco do shopping olhando para uma vitrine cheia de roupas estranhas e me vem uma declaração de amor na cabeça. Uma ode a um sentimento com muitos rostos e nenhum deles perto o suficiente para ser tocado. Abro minha mochila e escrevo no caderno. Mudo pouquíssimas coisas, ele vem realmente pronto, completo e sem pedir permissão. Acho igualmente curioso isso. Sei que se ele pedisse eu não o deixaria chegar. Tenho percebido que me falta sensibilidade às coisas grandes. Passei tanto tempo exercitando-me para enxergar as pequenas que perdi a noção do tamanho do todo.

Ainda me abalo com as mesmas coisas, situações, pessoas, frases e canções. Invento diálogos e telefonemas na minha cabeça e tendo a fazer meus textos direcionados a esses rostos distantes. Secretamente, espero que sua vida seja uma merda. Mas, mais secretamente ainda, espero que ela seja ótima. E, ainda mais secretamente que isso, quero que seja comigo.

20 de Março de 2009

Doce pedaço de trabalho

Eu tentava ser sensível apenas com textos e desenhos. Mas sabe quando você passa tanto tempo na piscina que, quando sai, sente como se estivesse mergulhando ainda? É isso. Se expressar por meio de alguma arte é se expressar por inteiro. Eu não divido mais as músicas que canto com a mente ou com a boca, o que falo pra mim ou para os outros. Meus valores estão claros e eu sigo. Quero ser o melhor ouvinte que houve, mas só ouvir quem merece ser ouvido.